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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Castro de Arxeriz, uma povoação da Idade do Ferro na Ribeira Sacra (Galiza)

O castro sobranceia o Cabo do Mundo, um meandro do rio Minho (Foto: C. Rueda)
Em agosto de 2013 começou a primeira campanha de escavações arqueológicas no castro de Arxeriz, uma povoação proto-histórica situada no concelho do Savinhão, na província galega de Lugo. O castro encontra-se em um terreno pertencente ao Ecomuseu de Arxeriz, criado e gerido pela Fundação Xosé Soto de Fión, uma entidade privada cujo intuito é estudar, conservar e divulgar o património etnográfico, histórico e arqueológico da Ribeira Sacra. O antigo assentamento foi construído em um promontório situado sobre a borda superior do vale do rio Minho, a uma altura de perto de quinhentos metros acima do nível do mar. 
 
Restos de edificações desenterradas no castro (Foto: Carlos Rueda)

Nas duas campanhas arqueológicas realizadas até agora no castro foram postos ao descoberto os restos de diversas construções. Entre elas há várias vivendas e o que se supõe ser um armazém de cereais. Nas escavações acharam-se também numerosos fragmentos de olaria, algumas peças de ourivesaria e utensílios de pedra (moinhos manuais, brunidores, pedras de amolar e fusaiolas). Os pesquisadores identificaram dois níveis arqueológicos diferentes, correspondentes a distintas ocupações que foram datadas provisoriamente de entre o século IV e o século I a.C. Até hoje não foi descoberto nenhum elemento arqueológico relacionado com a cultura romana, pelo qual se acredita que a povoação pôde ficar abandonada já antes da romanização do noroeste ibérico. 
 
Vista exterior da croa ou recinto central do castro (Foto: Carlos Rueda)
  
Os vestígios de estruturas construtivas desenterrados nas escavações foram consolidados para garantir a sua conservação. Os responsáveis pelo Ecomuseu de Arxeriz já abriram o sítio arqueológico às visitas turísticas. A sua intenção é mostrar aos visitantes todos os restos das antigas edificações do castro à medida que forem avançando as escavações.



Um moinho manual descoberto no castro (Foto: Carlos Rueda)
 As origens do castro de Arxeriz enquadram-se na civilização castreja que se desenvolveu no noroeste da Península Ibérica na Idade do Ferro, nos séculos que precederam à colonização romana. A área de expansão da cultura castreja abrange principalmente os territórios da Galiza e do norte de Portugal. No território galego conhecem-se centenas de assentamentos dessa época, que só em uma pequena medida foram objecto de pesquisas arqueológicas. Na Galiza são especialmente notáveis os castros de Santa Trega, Baronha e Viladonga (situado junto de um importante museu). Em Portugal, onde se conservam muitos monumentos desse período, é particularmente conhecida a citânia de Briteiros.

sábado, 8 de junho de 2013

Literatura galega na «Estilística da língua portuguesa» de Manuel Rodrigues Lapa


Capa da undécima edição da obra de Rodrigues Lapa
Em 1945 apareceu a primeira edição da Estilística da língua portuguesa, uma das obras mais conhecidas do filólogo português Manuel Rodrigues Lapa. Conforme as ideias do autor, quem sempre defendeu que as línguas portuguesa e galega são «radicalmente a mesma» —segundo as suas próprias palavras—, o livro caraterizou-se por oferecer numerosos comentários sobre a literatura galega. Nas sucessivas edições que conheceu este tratado, Rodrigues Lapa foi incluíndo exemplos estilísticos tirados das obras dos escritores galegos Xavier Alcalá, Eduardo Blanco Amor, Ramón Cabanillas, A. R. Castelao, Xosé Maria Díaz Castro, Rafael Dieste, Ánxel Fole, Uxio Novoneyra, Ramón Otero Pedrayo, Sílvio Santiago e Luís Seoane. Estes autores são mencionados em pé de igualdade com os portugueses Almeida Garrett, Alves Redol, João de Barros, Barbosa du Bocage, Raúl Brandão, Castelo Branco, Camões, Diogo do Couto, Eça de Queirós, Ferreira de Castro, Fialho de Almeida, Alexandre Herculano, Fernão Lopes, Antero de Quental, Malheiro Dias, Oliveira Martins, Venceslau de Morais, Vitorino Nemésio, António Nobre, Ramalho Ortigão, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, Fernão Mendes Pinto, Aquilino Ribeiro, Mário de Sá Carneiro, Luís de Sousa, Miguel Torga, Trindade Coelho, Cesário Verde e António Vieira, e os brasileiros Jorge Amado, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Graça AranhaJoão Guimarães Rosa, José Lins do Rego, Lima Barreto, Machado de Assis, Cecília Meireles, Monteiro Lobato, Raúl Pompeia, Graciliano Ramos e Érico Veríssimo, entre outros.

Discurso de Rodrigues Lapa em apoio à Revolução dos Cravos
Manuel Rodrigues Lapa nasceu em Anadia em 1897. Estudou filologia românica na Faculdade de Letras de Lisboa, onde mais adiante seria professor. Doutorou-se em 1930 com uma tese intitulada Das origens da poesia lírica em Portugal na Idade Média. Enfrentou-se desde muito cedo com a ditadura fascista de António de Oliveira Salazar e em 1933 foi afastado do ensino universitário depois de ter proferido uma conferência sobre A política do idioma e as universidades. Em 1935, por um decreto-lei, foi privado de acesso a qualquer emprego público. Durante os seguintes anos trabalhou no ensino privado e dirigiu o semanário cultural O Diabo enquanto desenvolvia um intenso labor intelectual e editorial. Em 1949 defendeu o fim da ditadura em uma entrevista no Diário de Lisboa, em resultas do qual foi preso pela polícia política. Em 1957 exilou-se para o Brasil e ensinou literatura portuguesa na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
      Uma boa parte da vasta obra filológica de Rodrigues Lapa está relacionada com a língua e a cultura da Galiza, que visitou pela primeira vez em 1932. No livro Estudos galego-portugueses: por uma Galiza renovada (Lisboa, 1979) reuniu trabalhos de temática galega publicados ao longo da sua vida.